Happy Slapping e Estágio Estético

Happy Slapping é a “nova” mania que se espalha por toda a Europa. Em português significa algo como “tapa feliz” ou “tapa bacana”. Consiste em agredir violentamente e rapidamente uma pessoa qualquer nos lugares públicos, geralmente pedestres, e filmar toda ação com um telefone celular. Depois, publicar em sites de compartilhamento de vídeos as cenas gravadas, onde internautas as comentam e avaliam. Pior ainda, a maioria dos agressores são jovens e adolescentes. “Para quê isso?” É o que todos questionam.
Eu sempre tive esse post na cabeça, bem antes de começar o blog, porque li sobre o Happy Slapping na Revista Época. Na matéria alguém perguntava a um adolescente porque ele praticava a infame mania. Ele respondeu com um descompromissado “não sei”. Acerca disso, gosto muito do comentário feito por Michel Redon, vice-procurador da República de Nice, região da França onde ocorreram vários casos de “tapa feliz”: “[o ‘não sei’] é a tradução de uma grande angústia de jovens com seu próprio nada. Um nada profundo de pessoas capazes de se valorizar somente pelo olhar de outros, seja no vídeo do happy slapping, seja com tênis de marca.”
Essa busca dos jovens por status me faz lembrar do que Kirkegaard, filósofo cristão, chamava de estágio estético. Ou seja, o sentido da existência daqueles que estão nesse estado é: aparecer, se mostrar para os outros, ser atraente, ter e causar prazer. Na mesma matéria da Revista Época, um sociólogo diz que “do ponto de vista dos jovens que praticam a estupidez, o comportamento exibicionista é mais importante que a violência
O Happy Slapping nada mais é do que a manifestação mais alta e nociva do estágio estético, na qual o indivíduo passa a promover até a destruição para buscar reconhecimento e tudo faz para aparecer para os outros. Os culpados não são só aqueles que praticam o ataque, mas também os que aplaudem e valorizam as barbaridades. Ambos têm uma visão limitada da existência, ambos necessitam ultrapassar as fronteiras do cotidiano e perceber que a integridade das pessoas vale muito mais que alguns comentários em uma página da internet. Muitas vezes nós também agimos de maneira estética absurda em nosso cotidiano. Vale tudo para ter mais na sociedade consumista, inclusive derrubar os outros. Ter muito é poder, ter muito é ser importante. Com uma sociedade assim, devemos fazer uma autocrítica. Será que você não está valorizando muito os bens materiais, enquanto destrói vidas? Até que ponto isso vai levar você?

6 comentário(s):
Acho melhor você apagar esse post antes que comecem a fazer isso por aqui. ^^ *medo*
ess negoço de tapa feliz eh coisa de doente, nao pensem q essa realidade estah muito longe do brasil(aqui jah temos rodinhas punk!!)
uma coisa tao boba q acredito eu se compare com o pensamento de kirkegaard eh o fato de maquiar-se para apenas sair de casa: ridículo
flw aew palito mto bom o blog
Eu nem concordo contigo ghost.
adoro rodinhas punk =3
Se você fizer uma "rodinha punk" para se sentir valorizado com opiniões alheias, isso é um problema. Estágio estético detectado!
E Ghost, eu concordo em partes com você, de fato não há problema em se sentir melhor ao embelezar-se, mas encontrar valor somente nas opiniões alheias faz muito mal, e em proporções extremas acaba em casos de barbaridades, como a prática de Happy Slapping.
E dificil acreditar qu'esse tipo de coisa vem da raça humana!
Acho que a verdadeira intensão e a busca do prazer pela humilhação da vitima. E conhecido que os torturadores filmam e fotografam os atos de tortura, para rebaixar ainda o agredido (vide fatos acontecidos no Iraque e no Brasil na epoca da ditadura).
Eu não acredito na teoria do Estagio Estetico. Pois muitos conseguem encontrar um motivo d'existencia e reconhecimento no autruismo por exemplo. Pra mim os os "tapas bacanas" dencia mais de sadismo que de estetica.
Eu gosto de resumir os estágios da existência assim, imaginem três pessoas, uma de cada estágio, tomando uma decisão:
A pessoa do Estágio Estético diz - Vou fazer isso porque é prazeroso para mim.
A pessoa do Estágio Ético diz - Vou fazer isso porque é o certo.
A pessoa do Estágio Religioso diz - Vou fazer isso porque Deus quer, e Ele é perfeito.
Eu particularmente não acredito no altruísmo. Porque até quando se trata de amor ao próximo na religião há recompenças para aquele que o pratica (os tesouros no paraíso por exemplo). O altruísta se dedica ao próximo sempre por alguma razão, as vezes até por uma razão estética. Vai ver que ele só pratica a filantropia porque se sente bem fazendo isso! Ou para ter status (vide as empresas com projetos de responsabilidade social).
PS: Mesmo que soe como uma critica o fato das religiões atribuírem "recompensas" aos que as seguem, não estou criticando-as. Estou apenas expondo os fatos. Eu sou religioso, sou cristão. Acredito que as recompensas dadas por Deus devem ser aceitas, apesar de que o verdadeiro crente não segue Deus para ganhar algo. O segue pois acredita em sua vontade, amor e poder.
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