Criminoso morto, crime vivo
A morte de Saddam Hussein não vai trazer efeitos positivos. Digo logo que não vou discutir aqui as violações dos direitos humanos, presentes no julgamento e na condenação do antigo líder iraquiano. Não vou fazer isso, porque desde o julgamento ocorreram barbaridades, e nenhum desses países que hoje reclamam da pena de morte aplicada não fizeram nada para garantir justiça. Os países que hoje condenam a execução de Saddam foram todos covardes, reclamam da condenação, mas não reclamaram do julgamento. Então não vejo necessidade em falar sobre direitos humanos, pois até os países que os pregam precisam dar mais valor a eles. Mas voltando ao assunto que quero discutir: a morte de Saddam não vai adiantar em nada.
Não vai adiantar porque é como dizem: “Você mata um criminoso, e logo depois surge um melhor que ele”. Deixo claro aqui: não adianta matar criminosos. Não adianta matar criminosos quando a situação equivale a um terreno fértil para o crescimento de novos criminosos. Não adianta matar criminosos quando isso não causa medo aos outros criminosos, pelo contrário, incita eles. Não adianta matar criminosos quando isso só traz mais crimes. Dezenas morreram depois da execução de Saddam, em um ataque criminoso. Não adianta matar criminosos quando o crime continua vivo.
Eu vou lhes dizer o que adianta, adianta mesmo, funciona direitinho: matar o crime. Isso mesmo, matar o crime. Matar o crime equivale a impedir sua plantação na sociedade, e também evitar seu crescimento. Matamos o crime quando garantimos condições igualitárias para todos os indivíduos da sociedade. Matamos o crime quando punimos os criminosos, mas não só isso, quando corrigimos eles também. Matar o crime equivale a mostrar que o crime não compensa. E enquanto o crime compensar, haverá criminosos, e mesmo matando estes, nascerão outros.
Repito:
Não matem os criminosos.
Sim matem o crime.

2 comentário(s):
Grande comentário.
Sem dúvida ,essa é a solução mais correta para tentar trazer paz ao mundo.
Concordo plenamente com sau visão,meu amigo.
Abraço
Bem colocado Flávio.
É bem verdade que a morte do Ex-ditador iraquiano Saddam Hussein não levou nada que não seja mais dor e ódio para aquela região. Agora leia isso:
"O Julgamento de Saddam Hussein, ex-presidente do Iraque, aconteceu num Tribunal Especial Iraquiano. É acusado de violações dos Direitos Humanos durante o seu governo, em especial no contexto do assassinato de 148 homens, predominantemente xiitas, na cidade iraquiana de Dujail em 1982." Quer dizer ele foi morto basicamente por infringir os "Direitos Humanos" (sei que Flávio disse que não iria comentar sobre isso, mais não posso deixar de falar).Essa execução em rede mundial a sangue-frio como em épocas medievais so nós leva a uma reflexão: Será que direitos humanos existem ? porque o bem mais inalienável de um homem foi tirado (O direito de viver) sem o menor respeito aos efeitos que isso poderia causar a sociedade e as regras já deturpadas do mundo em que vivemos...
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