Carnaval: o ópio do povo
A religião é o ópio do povo!
use o bom senso!
todo homem é naturalmente bom!
a razão é inata e verdadeira!
e blábláblá, esses são só alguns dos muitos dogmas do ateísmo. Sim! Até o ateísmo tem seus dogmas! E que nenhum religioso fanático se atreva a duvidar do bom senso, do inatismo e da teoria da alienação religiosa!
Mas eu não quero falar agora disso, aliás, nem posso! Afinal dogmas são dogmas.
(se não souber o significado, por favor, pesquise ;)
Quero falar de um ópio verdadeiro, que vem e vai todo ano, que aceitamos e engolimos desde sempre: o carnaval. Todo ano, durante esta festa, muita gente faz besteira, faz filho, pega aids, até morre... e mesmo assim amamos o carnaval! É folia, é alegria, pois acima de tudo, carne vale! Bem, isto sim eu chamo de alienação.
Alienação significa perder a essência, ou melhor, “errar” a essência. Uma coisa que pertence a algo, que era algo, e deixou de pertencer e ser. É transferir o domínio. Isto que é alienação. E não um sinônimo de “papas controladores de mentes”, como muitos pensam.
Então me digam, por acaso não perdemos nossa essência no carnaval? Por acaso não ignoramos uma sociedade corrupta, desigual e injusta, e só durante esta festa, passamos a viver em um mundo perfeito? Por acaso não esquecemos de todos os problemas, todos os escândalos, os quais nós mesmos poderíamos solucionar, com um voto, com uma reclamação, com um pouco de luta?
É claro que sim. É claro que perdemos nossa essência no carnaval. É claro que ficamos cegos para os problemas e assim os aceitamos. É claro que somos alienados pelo pouco de prazer que tal festa nos oferece.
E ainda tenho que agüentar um punhado de ateus dizendo que a religião domina e controla as massas. Pena que eles não vêem o real dominador e controlador das massas, pena que eles não vêem como a religião nem importa na sociedade brasileira. Aqui todo mundo é “católico não-praticante” (leia-se: “Deus lá em cima, e eu aqui em baixo”). Se Deus tivesse alguma influência, mínima que fosse, na sociedade brasileira, eu ainda aceitaria as críticas sobre alienação religiosa. Mas o verdadeiro deus da nossa pátria é o prazer, o qual importa mais que justiça e igualdade e liberdade.
Cultuamos o prazer nessa festa chamada carnaval, e este prazer nos cega, nos aleija, nos impede de lutar pelas necessidades do país: justiça e igualdade e liberdade.
Portanto, eu apelo, não esqueçam, não esqueçam de tudo que passamos, de tudo que nos fizeram, de tudo que ainda nos fazem. Não confundam o prazer carnal com a felicidade. Porque a felicidade plena só vem com justiça e igualdade e liberdade.
PS: O ópio era usado como uma droga recreativa, ou seja, era usado como um escape da realidade, uma maneira de, através do prazer, livrar as pessoas de um mundo opressor. Para Marx, ópio é sinônimo de alienação, a qual tem mais a ver com fuga da realidade do que controle e dominação.

3 comentário(s):
Parabéns cara ótimo post, a alienação é uma droga (literalmente) e se ninguem parar para mostrar isso as pessoas elas nunca se darão conta do sistema em que vivem. O parabéns que eu te dou é mais por essa coragem do que pelo post porque eu já perdi a esperança...
Gostei também do post. Mas palito, tenta se concentrar no tema proposto! ^^
Eu acho que mesmo com todos esses problemas nós merecemos nos divertir um pouco no carnaval, mas sem esquecer "de tudo que passamos, de tudo que nos fizeram, de tudo que ainda nos fazem. "
Lembrando, naquela época o ópio não era uma droga proibida e era usado como um tipo de analgésico. Logo, no contexto de Marx ópio significaria algo como "A religião é o sedativo do povo".
Gostei bastante do texto, pena que que você distorceu um pouco as coisas.
ahh brincadeira ^^
Exatamente Hélio... ele chamava a religião de algo como "sedativo" sim.
Concordamos finalmente.
Mas hoje em dia acho que o carnaval é um sedativo que funciona muito melhor... ele paraliza uma nação inteira diante de injustiças.
E eu fugi do tema propositalmente, para dar um ar mais "cotidiano" ao texto :P
Postar um comentário