segunda-feira, 23 de julho de 2007

O Ovo e a Galinha: Deus e o Homem

A principal crítica contra a religião, pelo menos em países sub-desenvolvidos como o nosso, é a acusação de que a religião aliena. Isto é, a fé em Deus é vista como um complexo processo de alienação.

Ludwig Andreas von Feuerbach foi um dos primeiros a classificar a religião como uma forma de alienação. Segundo ele a exposição do homem a natureza o faz tentar explicá-la, analisando a origem das coisas, os fenômenos naturais, o tempo, passado, presente e futuro. Na tentativa de responder as dúvidas provenientes dessa análise, a humanidade cria os deuses. São dados aos seres divinos forças e poderes que exprimem desejos humanos: este é o principal ponto da crítica de Feuerbach. De acordo com o filósofo e antropólogo alemão a religião “é a projeção externa da natureza interna do homem”. Progressivamente os deuses vão evoluindo. Ganham o status de governantes da realidade e passam a gozar de poderes sobre-humanos. Gradualmente, a humanidade esquece que criou as divindades, inverte as posições, com isso os homens julgam-se criaturas inferiores aos deuses.

Concluí-se que a alienação religiosa é o longo processo pelo qual o homem se reconhece como criatura de sua própria criação. A criação é um outro, um alienus, transcendente, misterioso, poderoso e dominador. O domínio da criatura (deuses) sobre seus criadores (homens) é a alienação (fonte: Convite à filosofia: Marilena Chauí, adaptado).

Por incrível que pareça, a alienação religiosa está descrita na Bíblia. O livro sagrado dos cristãos diz em Atos 7.40-42:

“Disseram a Arão: “Faça deuses para nós, deuses que vão à nossa frente. Não sabemos o que aconteceu com Moisés, esse homem que nos tirou do Egito”. Então fizeram uma imagem em forma de bezerro e mataram animais para oferecerem a ela como sacrifício. Depois deram uma festa em honra da imagem que eles mesmos tinham feito. Mas Deus se afastou deles e deixou que adorassem as estrelas do céu (...)”

É verdade, portanto. Os homens podem se confundir neste processo de criação. Mas isso não prova que a religião é falha ou que o divino não existe. Uma questão ainda permanece: “Foi o Homem que criou deus? Ou foi Deus que criou o homem?”. Infelizmente tal pergunta é uma falácia lógica. Um questionamento vazio, o qual não dá chance de resposta racional. É o mesmo que perguntar: “Quem veio primeiro? O ovo ou a galinha?”

A pergunta é devastadora, não é possível advogar para um de seus lados racionalmente, visto que não podemos voltar no tempo e descobrir se Deus revelou-se ao homem, ou se o Homem revelou-se em deus. Ainda assim, é crucial para cada ser humano chegar a sua resposta.

É dessa incapacidade de provar ou refutar a existência de Deus que surge a fé, definida como “a prova das coisas que não vemos” na carta aos Hebreus 11.1. “A prova” porque a fé, sustentada pelo relacionamento com o Divino, leva o homem a crer Nele, então fica provada a existência de Deus, verdadeira para aqueles que têm fé. “Das coisas que não vemos” porque o ser humano freqüentemente associa o real àquilo que seus sentidos percebem. Porém, não só os sentidos nos conduzem a realidade, a fé também é um caminho para a verdade, um meio diferenciado de perceber a realidade, a realidade que não pode ser provada racionalmente: Deus existe.

Por favor comentem e compartilhem suas perspectivas e religiosidade. Obrigado e até logo!

domingo, 15 de julho de 2007

A verdadeira invasão

Opressão. Crianças traumatizadas. Tiros pelas costas. Execuções. Eliminação de provas. Esse foi o verdadeiro saldo da invasão policial ao Complexo do Alemão no Rio às vésperas do Pan Americano (coincidência não?). Eu até queria escrever um artigo longo analisando a crise no combate ao tráfico, mas não, os fatos e as notícias falam por si. Com certeza existe algo errado com uma polícia que sobe o morro atirando nas costas de moradores, e com certeza existe algo de errado com um presidente que, apesar de tudo, afirma: “tem gente que acha que é possível agir contra a bandidagem com pétalas de rosa”. Está tudo claro demais, vê quem quer vê, ignora quem quer ignorar.

A invasão ao Complexo do Alemão é na verdade um homicídio aos direitos humanos, um ataque a cidadania. Aceitar uma operação dessas é reduzir todos homens, mulheres e crianças de bem que vivem no morro à condição de cúmplices do tráfico, quando na verdade eles são oprimidos tanto pelos traficantes, como pela polícia, e estão isentos de qualquer culpa pela criminalidade no lugar onde vivem.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Um computador chamado universo

"Se a posição que você precisa especificar em uma linha corresponder a um número irracional, então, para representá-lo, você precisaria de uma expressão decimal com um número infinito de dígitos. Isto iria requerer uma quantidade infinita de informação - de modo que nenhum computador, ou inteligência, poderia calculá-lo precisamente. É aqui que a visão de Laplace de um universo previsível (determinismo) cai por terra. O único computador poderoso suficientemente para descrever o comportamento do Universo inteiro seria o próprio Universo."

Trechinho muito instigante de um livro de física moderna que eu tinha aqui, e acabei de perceber que perdi ele :(

terça-feira, 10 de julho de 2007

Confortavelmente paralisados

“Keep you doped with religion and sex and TV”

Te mantendo dopado com religião e sexo e televisão. Foi o que John Lennon cantou nos anos 70. E foi o mesmo que Green Day cantou em uma regravação recente para um disco da Anistia Internacional. Na minha opinião, John estava certo na época psicodélica, e continua certo hoje. Isso porque:

A religião, ao invés de ser uma prática da justiça e do amor divino, é um escape da realidade que nos aleija.
O sexo, ao invés de ser uma concretização do amor de casais, é um prazer egoísta que nos insensibiliza.
A televisão, ao invés de ser um meio de divulgação de idéias, é um entretenimento inútil que nos cega.

E assim ficamos confortavelmente paralisados diante das atrocidades cometidas no cotidiano (como diria Roger Waters). Não importa a intolerância, se tivermos um lugarzinho garantido no céu, um prazer para nos acalmar e um programa de televisão para relaxar.

Mas vozes diferenciadas estão aí para nos alertar. É bom as ouvirmos. É bom sermos como elas e alertar também. É isso que estou tentando fazer aqui.

Por isso quero apresentar a vocês uma das várias atrocidades que acontecem em nosso mundo. Esta está acontecendo em Darfur. Assistam o clipe abaixo e entenderão:

E se você acha que fazer algo contra esses absurdos é inviável para sua posição, ao menos seja justo em seu dia-a-dia. Isso já vai fazer alguma diferença em nosso país corrupto.