quinta-feira, 24 de julho de 2008

Vontade é transcendental

Ferdinand não podia acreditar naquela situação. Seus colegas da Universidade de Praga estavam relutantes em explorar o Templo Secreto de Osíris, só porque um pregador nativo, aparentemente maluco, disse que havia uma maldição milenar no local recém-descoberto. Segundo ele, qualquer um que tentasse entrar seria destruído pelos deuses egípcios.

- Vamos! Nada pode acontecer conosco, a não ser ficarmos famosos – disse o tcheco corajoso, tentando mais uma vez convencer seus acompanhantes.

A fama falou mais alto que o perigo. Então os jovens arqueólogos escavaram até a entrada do templo. Tudo estava exatamente de acordo com as antigas lendas sobre aquele lugar, o que causou um novo desconforto entre alguns membros da equipe. Seria também verdadeira a parte da lenda referente à maldição?

- Não vão desistir agora não é? – provocou Ferdinand, usando uma resposta óbvia de um arqueólogo a alguns passos de entrar para a história.

O grupo de exploradores aproximou-se da sala principal, mas conjuntos de pedras enormes os impediam de acessá-la. Um deles era especialista em explosivos, e não demorou muito até que tudo estivesse armado e pronto para remover as pedras com segurança, melhor ainda, sem prejudicar a estrutura da antiga construção.

Algo inesperado, porém, aconteceu. Uma das explosões atingiu um cano de gás natural que coincidentemente passava junto ao Templo subterrâneo. Foi o suficiente para demolir todo o local e matar todos os jovens arqueólogos tchecos.

No dia seguinte, os jornais locais anunciavam a tragédia. E o pregador nativo, junto à distribuição das publicações, bradava:

- A vontade dos deuses é soberana!

***

Questão latente: O pregador nativo pode estar certo? O que aparentemente é coincidência pode ser considerado realização da vontade divina?